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Uma viagem no tempo patrocinada por intrigas


Após ter que responder mais alguns ataques do guitarrista George Lynch, Don Dokken repassou a história de tensões em um bate-papo com o Bravewords.com. A declaração repassa a história do grupo e oferece ao leitor uma verdadeira viagem aos áureos tempos do Hard Rock oitentista.

Foi sempre frustrante tentar se esquivar de responder os constantes ataques pessoais de George. Quando Breaking The Chains foi lançado na Europa, estava escrito Don Dokken no álbum, já que eu não tinha uma banda. Contratei Mick (Brown, baterista) e George para tocar no disco. Juan Croucier (Ratt) foi creditado como baixista e apareceu na foto, mas foi Peter Baltes (Accept) quem gravou. Ao voltar para os Estados Unidos, comecei a procurar por um grupo permanente. Juan já estava com o Ratt e George estava quase se tornando o guitarrista da banda de Ozzy. Cheguei a fazer um show com Warren DeMartini (também do Ratt) na guitarra. Achei que seria a formação definitiva, mas as gravadoras não mostraram muito interesse. Ficamos apenas eu e Mick.

Cliff Bernstein, que empresariava o Def Leppard, havia escutado Breaking the Chains e gostou. Nos ofereceu um show abrindo para o Mötley Crüe. Pedi que Juan me ajudasse apenas nessa data e chamei George. Graças a esse concerto, assinamos com a Elektra Records. Tom Zutaut, que trabalhava no departamento de singles, acreditou no álbum e nos deu força, assim como Cliff. Juan não ficou, pois o EP de estréia do Ratt decolou e ele ficou na banda. Mike Varney (guitarrista e fundador da Shrapnel Records, que descobriu quase toda a turma do bululu oitentista) me recomendou Jeff Pilson, que tocava em uma banda de bar com Amy Cannon, que se tornaria backing vocal do Mötley um tempo depois.


Nos ofereceram uma excursão com Blue Öyster Cult e Aldo Nova. Estava empolgado por tocar em arenas, mas tinha ressalvas quanto a George, já que não nos dávamos bem desde as gravações, mas fui convencido a mantê-lo. Jeff se encaixou perfeitamente. Eu ainda tocava guitarra base, ficamos nesse formato até Tooth and Nail, quando passei a me concentrar apenas nos vocais. Foi difícil, pois sempre toquei e cantei. Mas isso deu mais liberdade a George para se tornar o grande instrumentista que é. Fizemos grandes trabalhos juntos. Algumas pessoas acham que a tensão colaborou com isso, mas eu discordo.


Jeff nunca teve o crédito que merecia. Ele trabalhava com George nos riffs e letras, já que não conseguíamos lidar um com o outro. Mesmo com todo esse clima, nos tornamos uma banda. Eu consegui todos os contratos nos Estados Unidos e Europa, mas decidi dividir os méritos. Achei que faria com que todos ficassem felizes e acalmasse a tensão, mas nunca aconteceu. Uma pena.


Quando nos reunimos em 1995, achei que tínhamos amadurecido o suficiente para deixar isso para trás. Mas quem assistir o primeiro show da volta, registrado no DVD One Night Live, verá que estávamos com problemas óbvios. George claramente nos ignorou o tempo inteiro. Chegou a um ponto que era impossível continuar. Felizmente, Reb Beach (Winger, Whitesnake) entrou e fizemos um grande disco (Erase the Slate), com o som clássico do Dokken. O resto é história. Quando Jon Levin entrou, alguns anos mais tarde, foi a dose de energia que precisávamos. Nos damos bem, nos divertimos a cada nova apresentação. Esperamos continuar o legado.
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