Pular para o conteúdo principal

A dura vida de Blaze Bayley


Blaze Bayley conversou com o site sueco Critical Mass. O cantor deu um fiel testemunho dos últimos e atribulados tempos. Confira.

Por que o Wolfsbane não se reuniu logo após sua saída do Iron Maiden?

Aprendi muito no Maiden, trabalhando com Steve Harris e Dave Murray, em particular. Aprendi sobre composição e ganhei muita confiança e habilidade. “Man On The Edge” foi um hit, entrou no Top 10. Trabalhei em “Futureal” com Steve, participei de “The Clansman” e “Lord of the Flies”. Dizia para mim mesmo: “Eu realmente consigo fazer isso! Tenho minhas próprias idéias e posso expressá-las, vou formar minha própria banda”. Também contou o fato de eu querer continuar trabalhando com dois guitarristas. Então segui esse caminho, que era apropriado. Um tempo depois, ia fazer uns shows e chamei os caras. Alguns amigos antigos ouviram falar e nos apoiaram. Depois pensamos em fazer um álbum. Nossa mentalidade é mais próxima de uma banda escolar, enquanto a carreira solo é meu emprego.

Quando você anunciou a dissolução da banda Blaze Bayley, declarou que era muito difícil manter o grupo devido a fatores mentais, financeiros e emocionais. Por quanto tempo foi assim?

Mais ou menos um ano. Quando começamos o último álbum, meu pai estava morrendo de câncer. Tive que tirar uma folga das gravações. Sequer tínhamos dinheiro para finalizar o disco. Ficávamos olhando um para o outro e pensando: “Mesmo que terminemos de escrever, não teremos grana para gravar a bateria. E mesmo que consigamos gravar a bateria, não teremos o suficiente para todo o resto”. Queríamos lançar o livro ao mesmo tempo (o baterista Lawrence Paterson escreveu At The End Of The Day, contando a história do grupo). Tivemos que pedir dinheiro emprestado. Implorei a amigos para conseguir fazer o disco e o livro. Vivemos com nada enquanto fazíamos a primeira parte da turnê de Promise and Terror. Conseguimos um pouco de dinheiro no meio da excursão, então as coisas ficaram bem entre junho e setembro do ano passado.

Como não tínhamos manager, não agendamos seis meses para frente, como era antes, então tínhamos pouco a fazer pela frente. Estávamos tocando pelo que desse. Não conseguíamos pagar as contas direito, mal conseguia honrar meu aluguel. Queria começar uma família com minha namorada, ela estava grávida e um dia chegamos a ficar sem eletricidade e comida. Tive que vender o primeiro disco de prata que ganhei com o Iron Maiden. Comecei a vender tudo que tinha, meu aparelho de som, tudo. Voltei da turnê devendo para todo mundo.

Quando fui para o Brasil, em janeiro, estava tendo pensamentos suicidas. Ao voltar, minha namorada me fez ir a um psicólogo. Me sentia uma fraude, pois minhas letras eram sobre lutar, seguir em frente, enfrentar os problemas. Mas me sentia esmagado, não queria mais viver. Conversei seriamente com minha namorada ao voltar. Tentamos agendar uma turnê, mas no fim a situação mostrava que se continuássemos daquele modo, não faríamos dinheiro. Jamais conseguiria pagar o que devia. Ainda tenho dívidas da banda. Não iríamos poder dar nada para o bebê que ia nascer.

Enquanto estávamos fazendo os shows, ainda acreditávamos. Mas um dia o carro morreu em uma montanha e tive que esmolar para poder voltar para casa. Ali era o fim, tudo tinha acabado. Não tínhamos como ir de Birmingham à Suíça e tive quase que roubar para conseguirmos. Foi terrível, ficava cada vez pior, não podia mais continuar. Perdi a vontade de viver, não me sentia confortável naquela escuridão. Quando terminamos aquilo, comecei a sentir minha vida voltar e fui a um médico. Passei a tomar remédios e achei que talvez houvesse um futuro. Talvez pudesse fazer outro álbum. Talvez tivesse algo a dizer. Por sorte, os fãs me apoiaram e parece que há mesmo um futuro.

Como você se sente hoje?

Muito melhor! Positivo. Foram meses difíceis, tive que cancelar os shows de maio e junho. Mas agora já temos os próximos seis meses agendados. Tive que arrumar um trabalho temporário em uma fábrica, mas em agosto volto a me dedicar integralmente à música. Trabalharei no novo disco do Wolfsbane, depois farei a primeira tour solo pelos Estados Unidos, com 20 apresentações. Ano que vem, farei um disco acústico, que já comecei a escrever. Tenho umas idéias para 2013. Sinto que estarei forte o suficiente para fazer um grande álbum de Metal, o melhor que já lancei!
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Grave Digger: Banda Gueppardo convidada para abertura em Porto Alegre

A banda Gueppardo foi anunciada como uma das atrações de abertura para o show de Porto Alegre da nova turnê mundial do lendário grupo alemão, Grave Digger. Os shows acontecem no dia 29 de março, no teatro do CIEE (D. Pedro II, 861).

Grave Digger é considerada, ao lado de Rage e Running Wild, uma das maiores bandas de Heavy Metal surgidas na Alemanha, e uma das mais importantes do mundo. Com mais de 35 anos na estrada e 18 álbuns de estúdio lançados, essa é a décima passagem dos alemães pelo Brasil, que promovem o seu novo disco, “Healedby Metal”, lançado em janeiro de 2017.

Gueppardo é uma banda de Hard n’ Heavy de Porto Alegre (RS), formada em 2007. Possui no currículo shows em todo Brasil e também na Argentina, ao lado de nomes de peso, como Steve Grimmett's Grim Reaper e Blaze Bayley (Iron Maiden). Lançou em 2015, o álbum “Fronteira Final”, considerado como um dos melhores lançamentos do estilo no ano. Recentemente a banda disponibilizou em seu canal no youtube, o videoclipe ofi…

Electra Mustaine: a linda filha do Sr. Dave Mustaine

Músico do Ghost comenta homenagem a amigo suicida

“He Is”, faixa do álbum Meliora, do Ghost, é uma homenagem a Selim Lemouchi, líder da banda holandesa The Devil’s Blood. Ele cometeu suicídio em março de 2014, aos 33 anos. “Vivíamos longe, mas sempre que nos encontrávamos era uma diversão. Essa música já existia em demos, mas nunca tínhamos acertado o aspecto lírico. Após a morte de Selim, tudo se acertou. Ela fala sobre a fé em um grande além”, disse um dos músicos da banda ao Loudwire.