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"À medida que sua vida muda, suas músicas e influências também mudam"

Em 1995, Jani Lane voltava a um reconstruído Warrant, que tentava recomeçar com o álbum Ultraphobic. O vocalista falou com exclusividade a Daniel Oliveira e Rei Nishimoto, da Rock Brigade.


Estreando em 1989 com o álbum Dirty Rotten Filthy Stinkin’ Rich, o Warrant vangloriou-se com os elementos autênticos do hard rock californiano: letras sobre garotas, visual carregado e músicas descontraídas. Com o álbum Cherry Pie, lançado em 90, Jani Lane (vocal), Jerry Dixon (baixo), Joey Allen (guitarra), Erik Turner (guitarra) e Steven Sweet (bateria) aprimoraram seu estilo, acrescentando mais peso e textura. Extensas turnês e músicas como “Heaven”, “Cherry Pie” e “I Saw Red” permitiram à banda vender mais de cinco milhões de cópias somando ambos os álbuns.

Contudo, em 92, ao lançar o álbum Dog Eat Dog, o sonho que o Warrant vivenciou transformou-se em pesadelo. Além da música alternativa começar a dominar as rádios, o contrato com a gravadora Columbia foi rescindido, o empresário da banda morreu e o vocalista Jani Lane decidiu pular fora para um projeto solo.

Hoje, três anos mais tarde, o Warrant retorna com o álbum Ultraphobic, reformado e totalmente sóbrio do agitado pesadelo. “Eu fui um idiota saindo da banda”, relembra o próprio Jani. “O motivo pelo qual retornei foi minha amizade com os caras. Aconteça o que acontecer, todos no Warrant são amigos. Passamos por momentos difíceis, mas estou muito orgulhoso dos três membros originais – eu, Jerry e Erik – porque ainda estamos juntos. Retornamos por causa dos nossos fãs, não por causa da indústria musical. Se a indústria musical vê a nossa banda como algo dos anos 80, então ela que se dane”.

Ultraphobic traz Rick Steeler (guitarra) e James Kottak (bateria), ambos ex-Kingdom Come, no lugar de Joey Allen e Steven Sweet, respectivamente. Pela intensidade e seriedade de músicas como “Undertow”, “Followed” e “Family Panic”, Ultraphobic eleva o Warrant a um estágio inédito em sua carreira. “Este é um álbum bastante aberto, pois cada música tem uma emoção diferente”, diz Jani. “É isso exatamente o que faz uma música, transmite emoções às pessoas. Este álbum traz mais emoções, pois foi composto por todos da banda, ao contrário dos outros. Jerry veio com suas idéias, eu e Rick compusemos a metade do álbum em duas semanas. Esta foi a melhor co-composição que eu já fiz. Talvez por convivência ou ego, nunca gostei de dividi-la. Mas agora eu mudei de idéia e foi algo bastante divertido”.

Com Ultraphobic, o Warrant mostrou maturidade musical e ideológica. Como Jani compara este álbum aos velhos tempos? “Eu ainda quero viver bons momentos, mas estando seis anos mais velho, tenho mais experiências para colocar para fora”, diz. “Quando compus Cherry Pie e Dirty Rotten Filthy Stinkin’ Rich, minha vida consistia basicamente de festas (risos). Eu não tinha muitas responsabilidades. À medida que sua vida muda, suas músicas e influências também mudam. Temos que viver no presente, mas aquela época foi fantástica. De vez em quando, alguns repórteres parecem querer que eu tenha vergonha do meu passado. Eu me recuso a ceder, pois sou muito orgulhoso do novo álbum”.

E no presente, Jani procura manter a personalidade da banda intacta. “Hoje temos que encontrar um caminho entre ser o Warrant e ter o nosso canto nos anos 90. Há este estigma de banda glam dos 80. Eu aceito isso, mas procuro meu lugar nos 90, sem precisar competir com as bandas da atualidade. Gosto de muitas coisas alternativas, mas também gostaria que nos permitissem crescer como conjunto e desenvolver nossa música”.

Rock Brigade número 108, julho de 1995
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