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Resenha - Fabulous Disaster - Exodus


Ultimamente o EXODUS anda bastante em evidência pelo lançamento do seu álbum mais recente, o Blood In Blood Out, que marca o retorno do vocalista Steve "Zetro" Souza, mas esse ano também marca o aniversário de 25 anos do álbum Fabulous Disaster, lançado no dia 30 de Janeiro de 1989. Um álbum que representa o ápice criativo da banda num dos seus momentos de maior entrosamento como grupo, e como é sempre bom relembrar um clássico até para que ele tenha o seu devido valor reconhecido iremos nos aprofundar um pouco nele.





É verdade que a situação não estava das melhores para o EXODUS no ano de 1988. A banda que mesmo sendo da mesma época de outras como SLAYER, METALLICA e ANTHRAX acabou lançando seu primeiro álbum, o clássico Bonded By Blood apenas em 1985, um pouco mais tarde que as outras. Em 1987 a banda ainda passou pela difícil missão de substituir o carismático vocalista Paul Baloff por Steve "Zetro" Souza e o lançamento do álbum Pleasures Of The Flesh acabou por não agradar muitos dos fãs, seja pelo direcionamento musical, pela produção do álbum ou pela mudança de vocalista. Após alguns meses em estúdio a banda voltou com força total com Fabulous Disaster, mostrando que podia superar os álbuns anteriores (na minha opinião pessoal supera até o Bonded By Blood) e consagrar Steve como o vocalista definitivo.


A primeira música, The Last Act of Defiance, começa da mesma forma que no álbum anterior, um discurso falado, mas dessa vez abordando a questão do sistema prisional e suas consequências. 50 segundos depois entram em ação os primeiros riffs que já dão um indicativo do que vai rolar por todo o álbum: o mais puro e direto thrash metal. Sem enrolações, o que você ouve nessa música, e por todo o álbum, é uma banda tocando rápido, músicas cheias de energia, um alto nível de técnica aliado a estruturas mais complicadas o que se reflete numa maior progressão nas partes instrumentais. A produção do álbum é limpa, mas não de forma exagerada e conseguindo manter aquelas características cruas tão necessárias para um bom disco de thrash.
A segunda faixa, que leva o nome do álbum, é um dos melhores exemplos do que o Exodus é capaz de fazer. Mesmo no final dos anos 80 quando várias bandas de thrash estavam em alta, o EXODUS conseguia fazer o som de forma diferente. As 9 (ou 10) faixas do disco são extremamente cativantes com refrões altamente grudentos. Além das músicas amadurecidas, as letras também refletem essa evolução da banda. Se no primeiro álbum as letras tinham um enfoque mais ligado ao anti-cristianismo, Satã e outros assuntos, em Fabulous Disaster as letras envolvem assuntos como revoltas em prisões, política, sociedade e abuso infantil. Também é bom lembrar que o EXODUS sempre foi reconhecido pelas suas performances absurdamente energéticas e contagiantes como podemos ver na época de lançamento do álbum:
Tirando um pouco o pé do acelerador, e com mais peso, vem a terceira faixa, The Toxic Waltz.

Particularmente a minha faixa preferida, o vocalista Steve Souza se destaca bastante nessa música. O cara tem um timbre muito inconfundível. Outro aspecto que vale destacar nessa música, e no álbum como um todo, é a dupla competente de guitarristas, Gary Holt e Rick Hunolt, o Time H. No meio da música os caras complementam o solo um do outro de uma forma totalmente hipnotizante, sem querer tomar espaço, mas enriquecendo a música como um todo:
A quarta faixa é a primeira surpresa do álbum, Low Rider, um cover de uma banda de funk (não é o do tipo brasileiro, pense em James Brown para algo menos vergonhoso) chamada WAR. É uma música bem simples, curta e divertida. Logicamente que o EXODUS adicionou peso a música original que era assim:

Resultando em algo muito interessante. A interpretação que Steve faz da música é muito bem sacada. É bacana porque mostra que as influências tanto para Gary Holt como para o resto da banda vão muito além de apenas músicos do rock/metal.
A quinta faixa, Cajun Hell, é outra grata surpresa do álbum. Fabulous Disaster não se trata apenas de músicas rápidas e pesadas, e essa é uma das formas pelas quais o álbum consegue manter sua chama de originalidade e se distanciar de tantas outras centenas de álbuns lançadas nessa época. Logo no começo os sons de sapos, grilos e efeitos no som da guitarra como slide vão criando uma atmosfera que você vai visualizando uma imagem de um pântano no sul dos Estados Unidos com jacarés e tudo mais. A letra retrata de forma bem humorada essa realidade no inferno dos caipiras. É uma música diferente que vale a pena ser ouvida:
Like Father, Like Son é a primeira música do lado B. Aqui a letra tem uma abordagem mais séria. A música inicia com um choro de um bebê e fala sobre abusos infantis através da violência doméstica.

Diferente das outras músicas essa é bem mais extensa, a maior do disco com seus 8 minutos de duração. Hoje o EXODUS meio que insiste em músicas mais longas. A diferença dessa música para as mais recentes é que nessa época eles sabiam como conduzir a música e mudar o andamento para não tornar a audição maçante. Veja o maravilhoso solo extenso da dupla de guitarristas no meio da música. Quando chega no final você nem acredita que se passaram oito minutos tão rápido, e isso para mim é a demonstração pura da genialidade desses caras:
Para quem gosta de thrash mais tradicional as 3 músicas finais puxam mais para esse lado. Corruption é o típico thrash metal do final dos anos 80: Rápido, pesado, letras com um discurso anti-políticos, refrões cantados em coro e solos virtuosos. O tipo de música para ser tocada ao vivo. Verbal Razors tem um riff bem característico de Gary Holt, do tipo que você escuta e já sabe que é uma criação dele. Não que isso seja ruim, pelo contrário, demonstra a personalidade e estilo do guitarrista. Por fim na última faixa, Open Season, a banda novamente pisa no acelerador para demonstrar o que é capaz de fazer e finalizar o álbum em grande estilo.

Isso nas versões em vinil e cassete. Na versão CD foi adicionada uma faixa bônus, uma cover do AC/DC de Overdose. Música muito bacana, apesar que pessoalmente eu prefiro a cover do WAR por ser mais diferente. A banda toca de forma muito fiel, com algumas pequenas mudanças, e adicionando muito mais peso logicamente. Sobre a performance de Steve é sacanagem comentar, o cara é praticamente o Bon Scott do thrash, inclusive toca numa banda tributo ao AC/DC chamada de AC/DZ, aonde o Z é para Zetro.
Com isso, depois de 45 (ou 50) minutos o álbum chega ao fim, e nem parece. O EXODUS criou em conjunto um álbum diversificado, com influências que vão além do thrash e metal tradicional, e que adicionam dimensões adicionais a música evitando que o álbum se torne repetitivo. Fabulous Disaster também marcou como sendo o último álbum com o baterista original Tom Hunting, que voltou a tocar na banda apenas em 1997. Não é apenas mais um álbum de catálogo da banda, mas sim um clássico atemporal de uma das melhores bandas da bay area que se infelizmente nunca teve o mesmo reconhecimento daquelas que constituem o grupo do "Big 4", pelo menos ainda continua na ativa e nos presenteando com excelentes álbuns até os dias de hoje sem nenhum grave deslize na sua discografia. Vale cada segundo ouvindo, além de ser muito acessível para todos os fãs de música pesada. "Everybody's doin' the toxic waltz!"

Track-list:

1. The Last Act of Defiance (04:43)
2. Fabulous Disaster (04:55)
3. The Toxic Waltz (04:53)
4. Low Rider (War Cover) (02:47)
5. Cajun Hell (06:06)
6. Like Father, Like Son (08:10)
7. Corruption (05:47)
8. Verbal Razors (04:06)
9. Open Season (03:53)
10. Overdose (AC/DC Cover)* (05:29)
*Faixa bônus na versão CD.

Por Tiago Dantas da Rocha
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