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Até que enfim uma Virada Cultural mais roqueira

Korzus posa com a galera ao final do show na Virada Cultural (FOTO: ALLAN LEE/ DIVULGAÇÃO)

Paulo Renato Martins – especial para o Combate Rock
Foram anos reivindicando mais rock na Virada Cultural paulistana, e sobretudo mais rock pesado. No ano passado foi bom, mas foi pouco, com um tributo ao Golpe de Estado e ao falecido Hélcio Aguirra, a fantástica e veterana banda inglesa Uriah Heep e o igualmente estupendo Mark Farner (ex-Grand Funk Railroad).
Os pedidos foram  atendidos, e os roqueiros lotaram as imediações do palco da avenida Rio Branco, com atrações para todos os gostos e tribos. O peso predominou, e as bandas nacionais puderam mostrar parte de seus mais recentes trabalhos, mesmo com pouco tempo para tocar.
Em um ambiente de mais segurança e de menos tumulto – parece que o pessoal ficou mais educado -, a recepção a alguns artistas exóticos foi boa, em uma autêntica celebração à história, como ocorreu com Edy Star e Serguei, bem no começo.
Os anos 80 foram brindados com a ressurreição do Akira S. e as Garotas que Erraram, injustamente relegados ao segundo plano do rock daquela década. Inventivos e com alto astral, fizeram um bom show.
Quem esquentou mesmo a galera foi o Cachorro Grande, banda gaúcha radicada há anos em São Paulo e que detonou um repertório autoral mais pesado, quase nada eletrônico (como o último disco), carregando nas influências do rock inglês dos anos 60 e do hard setentista.
Acabou sendo uma pancada na cabeça dos que costumeiramente dizem, “não ouvi e não gostei'', não só por causa do peso, mas por conta das boas músicas que compõem o seu repertório. Beto Bruno, o vocalista, é um ótimo frontman, mas o destaque foi o guitarrista Marcelo Gross, com seu repertório variado de truques e feeling na medida para bons solos.
A boa banda potiguar Far From Alaska acabou sendo mal escalada, justamente por conta da eletrizante performance do Cachorro Grande e pela expectativa do peso que viria em seguida. Não decepcionou, até porque seu som tem qualidade, mas tampouco empolgou. O horário, 4h da manhã, também não ajudou.
A partir das 6h, o mundo tremeu com o Krisiun, hoje a banda brasileira de rock mais importante no cenário internacional. Irrepreensível com seu thrash vigoroso, acordou quem tentou dormir no centro de São Paulo. Uma verdadeira máquina de moer cérebros. Nada menos do que excelente.
Os amigos do Korzus tinham a ingrata missão de tentar manter o nível extraordinário do Krisiun, mas o quinteto paulistano se superou e fez muito mais.


Marcello Pompeu (vocal), Heros Trench (guitarra), Dick Siebert (baixo), Antônio Araújo (guitarra) e Rodrigo Oliveira (bateria) fizeram tremer o Palco Rio Branco e certamente fizeram o melhor show daquela região da Virada Cultural.
O público era grande às 8h e vibrou com a execução de clássicos como “Correria”, “Discipline of Hate”, “Never Die”, “Guilty Silence”, “Truth”, “What Are You Looking For”, além das novas principais composições “Vampiro”, “Bleeding Pride” e a faixa-titulo “Legion”. Não poderia ser melhor a comemoração dos  32 anos de carreira.
Vítor Rodrigues e seu Voodoopriest entraram em uma “roubada'' em seguida: não bastasse o Krisiun, ainda teriam de tentar ao menos igualar o Korzus. Difícil, mas o grupo se saiu bem, executando boa parte do álbum “Mandu''.
Quem surpreendeu foi o Dr. Sin, trio veterano de São Paulo que está com trabalho novo na praça, “Intactus''. Havia uma parcela de apreciadores de rock que levaram um susto – desinformados, achavam que o grupo era peça de museu.
Para nossa sorte, eles estão longe de qualquer peça do passado. O novo álbum foi a base do show, com muito feeling e uma pegada extraordinária. Andria Busic (baixo e vocais) está cantando bem melhor, gritando menos, e o guitarrista Eduardo Ardanuy continua sendo um show à parte.
O Viper ainda saboreia os bons momentos vividos com o retorno para alguns shows de aniversário de 30 anos de sua fundação e primeiros lançamentos, em 2013.
As comemorações continuam, com direito a lançamento de CD e DVD do ótimo show no Via Marquês, há dois anos. André Matos deu vida a uma série de canções icônicas do heavy nacional, agora com mais experiência e mais feeling. Havia um bom público para prestigiar o quinteto.
Robertinho de Recife parecia ser mais uma curiosidade do palco roqueiro, já que há anos pouco se ouviu falar do mestre da guitarra. Com trabalho novo, mostrou todas as suas qualidades e conseguiu mostrar  o porquê de “Metalmania'', álbum e banda, serem tão cultuados.
O final da maratona teve cara de celebração (mais uma!) com a sempre necessária banda Made in Brazil, na ativa desde 1967. São 48 anos de rock bem feito e de dedicação extrema à música. Um final digno a um evento que foi bacana, sem a violência de anos de anteriores e com organização muito boa, também superior àquela dos dois anos anteriores.
Vale mencionar aqui outras apresentações que amigos me disseram ter sido bem interessantes: Johnny Marr, ex-guitarrista da banda The Smiths fez um excelente show no Memorial da América Latina; e o Matuto Moderno, que mistura rock urbano com música regional do interior paulista, fez uma apresentação muito elogiada na praça da República.
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