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Geoff Tate perdeu de novo!



A desintegração do Queensryche, uma das grandes bandas de heavy metal dos Estados Unidos, causou o mesmo impacto e as mesmas reações nos fãs que a separação da formação clássica do Sepultura, ocorrida em 1996. Os otimistas acreditaram que o mundo ganharia duas banda de respeito e poderosas; os pessimistas preferiram lamentar simplesmente o fim de um grupo importante.
As divergências entre o vocalista Geoff Tate e o resto da banda, que começaram no começo dos anos 2000 e tiveram o auge entre 2010 e 2011 – tendo São Paulo como local fundamental dpos conflitos -, criaram duas bandas, maas sem o brilho da original.
Resolvidas as pendengas judiciais, as desavenças foram transferidas para a música. O atual Queensryche e a banda Operation: Mindcrime, o novo projeto de Tate, lançaram seus novos trabalhos simultaneamente em 2015 e, novamente, o vocalista perdeu a disputa.
A vitória do Queensryche, entretanto, não deve ser muito comemorada. “Condition Human'', o segundo CD com o cantor Todd La Torre, se ressente da qualidade das letras do antigo vocalista, embora acerte ao manter, ao menos por enquanto, o heavy metal tradicional com viés progressivo que fez a sua fama.


“The Key'', o CD do Operation:Mindcrime, é um resumo dos equívocos que Geoff Tate cometeu em seus derradeiros trabalhos com a banda, em seus dois CDs solo e nos trabalhos após a briga com Queensryche: audacioso e ousado até o limite da imprudência, continua buscando um som inovador e experimental, ainda que os resultados deixem a desejar.
A situação é muito semelhante à de dois anos atrás, quando as duas partes, ainda em litígio, também lançaram novos trabalhos quase que simultaneamente.
“Queensryche'', o primeiro sem Tate cantando, impressionou porque soava moderno, vigoroso, com músicas boas e uma aposta em guitarras pesadas e densas, relembrando as obras-primas dos anos 80.
“Frequency Unknown'' foi a resposta de uma banda chamada Geoff Tate's Queensryche, evidenciando que a batalha jurídica pelo nome contaminara a música. Apressado e aparentemente mal concebido, tinha uma urgência natural pelas circunstâncias, mas carecia de inspiração – sem foco e apostando em arranjos experimentais complicados, Tate parecia perdido.



Em 2015, a vantagem dos ex-companheiros do grande cantor é evidente. Ainda que seja inferior ao trabalho anterior, “Condition Human'' ainda mantém alguma sofisticação nos timbres de guitarras. As canções são homogêneas, mas sem nenhum brilhantismo – a aposta foi conservadora, evitando arroubos criativos maiores.
“The Key'' é mais uma busca de Geoff Tate para se distanciar de um passado considerado engessado. As guitarras são menos proeminentes e novas sonoridades são testadas com certo abuso de recursos eletrônicos, acentuando um aspecto artificial que predominou em “Frequency Unknown'' e em “Dedicated to Chaos'', de 2011, o último álbum de Tate no Queensryche.
“Burn'' e “Hearing Voices'' são o destaque em “The Key'', que pretende ser a primeira parte de uma trilogia conceitual – uma história de suspense ainda que tenha pouco sentido, ao menos no primeiro CD.
“Condition Human'' é mais coeso e sólido, apesar de conter poucos destaques. “Arrows of Time'' e “Guardian'', bem pesadas, até que dão a partida de forma impressionante, mas o Queensryche não mantém o nível, embora “Hourglass'', “The Aftermath'' e a faixa-título apresentam boas ideias e riffs interessantes.

 Marcelo Moreira

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