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Entreposto, ou depósito de mercadoria cara: o dilema da Galeria do Rock


A crise econômica pode transformar o que restou de música de verdade na Galeria do Rock em mero entreposto de produtos – ou, seja, as lojas que ainda insistem em vender vinis, CDs e DVDs vão virar depósitos, vendendo apenas pela internet.
Que o local, no centro de São Paulo, que um dia foi um dos maiores locais de vendas de música do mundo, perde cada vez mais relevância na disseminação da música, é fato que pode ser constatado diariamente. Lojas vazias, até mesmo as que vendem roupas e bugigangas. O dinheiro anda curto e os estoques, abarrotados.
Muitos lojistas imaginavam anos atrás que se tornariam um porto seguro para quem realmente gosta de música, locais tidos como “santuários'' onde se poderia achar música física de qualidade, ainda que fosse necessário pagar um pouco mais.
Só que a alta do dólar, desde o ano passado, torpedeou os planos de muitos empresários que imaginavam sobreviver de encomendas no exterior daquelas coisas não lançadas aqui, ou lançadas apenas em tiragens limitadas. Hoje, nem isso mais.
O mais recente do Angra, “Secret Garden'', distribuído por multinacionais, chega a custar R$ 45 em megastores (geralmente grandes livrarias) fora de São Paulo. na capital paulista, lojistas não conseguem vender por menos de R$ 38. Uma versão limitada europeia, em CD duplo com o segundo disco contendo trechos de shows ao vivo com o cantor italiano Fabio Lione, ultrapassa R$ 120.
E o que dizer dos relançamentos do Led Zeppelin, em CDs duplos nacionais, custando R$ 110 – “Physical Graffiti'', triplo, custa R$ 150!!! Em algumas lojas, lançamentos estrangeiros chegam custando R$ 135.

“É o pior dos mundos: as encomendas diminuíram, o dólar jogou o preço lá em cima e os estoques estão entupidos. O que fazer? Se deixarmos de ter o produto corremos o risco de perder os poucos clientes que ainda nos procuram. Se tivermos algo para ofertar, o risco é o encalhe e o dinheiro empatado, quando não jogado fora'', afirmou um veterano comerciante de música da galeria, que pediu para não ser identificado.
Um concorrente está ainda mais desanimado. “A salvação vinha sendo a internet, com muitas encomendas, quase que compensando o que antigamente vendíamos na loja. Com a queda na procura e com os preços altos, estamos pagando aluguel para transformar a loja em um depósito. E os custos só aumentam. Quando dá consigo vender CDs nacionais, lançamentos a R$ 25, mas em vários casos o preço passa de R$ 30. Quem paga R$ 30 em um CD hoje?''
A Galeria do Rock ainda mantém a sua aura de ponto turístico em São Paulo, cada vez menos por conta da venda de música, e cada vez mais, supostamente, como difusora de moda e tendências de comportamento.
A crise afeta as lojas de roupas, estúdios de tatuagem e das várias outras tranqueiras – bonecos, miniaturas diversas, entre outras coisas -, mas o impacto ainda é menor do que nas lojas de CDs/DVDs. O vinil ainda é coisa de colecionador, com vendas em volumes bem menores, insuficientes para compensar outras perdas.
Alguns lojistas mantém o que chama de “otimismo preocupante'', acreditando ser possível uma reversão de expectativas no médio prazo. O problema é que esse médio prazo parece bem distante quando analisamos a conjuntura econômica e a avalanche de notícias ruins diárias acerca do aumento do desemprego e da alta da inflação, entre outras coisas.
Se as vendas pela internet mantiverem a tendência de queda, como ocorre em toda a economia brasileira, as poucas e boas lojas de música que restam em São Paulo, quase todas concentradas na Galeria do Rock e na vizinha Galeria da Nova Barão, deixarão inclusive de ser meros entrepostos para encomendas – não passarão depósitos de mercadoria encalhada, e bem cara.

Marcelo Moreira - UOL

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