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No Dia Mundial do Rock, são as crianças que celebram em Joinville

Bruno Stanger orgulha o pai Neto Stenger com seu ritmo na bateria - Diorgenes Pandini / Agencia RBS

13 de julho dia mundial do Rock

Gênero já é um respeitável senhor de cinquenta e poucos, mas são as crianças que também dão o tom

A primeira reação de Bruno Stanger quando chega na escola de música do pai é correr atrás de uma guitarra ou bateria que esteja dando sopa. Até aí, nada demais, a não ser o fato de que Bruno tem apenas três anos. O pai, o guitarrista Neto Stenger, nega qualquer imposição sobre a preferência do herdeiro. Nem o jeito de segurar as baquetas foi ensinado. Ele só observa e repete, relata Neto, que se surpreendeu com o ritmo nato do pequeno.

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No caso de Bruno, a influência vem de casa, mesmo que o gosto pelo rock’n’roll não seja uma determinação da família. Mas o gênero, com quase 60 anos, continua seduzindo novas gerações de roqueiros.

Artur Augusto da Silva Vicente, dez anos, é uma das crianças que foram na contramão do gosto musical dos pais. Há dois meses, ele pediu de presente uma guitarra e um amplificador e passou a frequentar aulas de música. Bem ao inverso do pai Rinaldo, que toca cavaquinho nas horas vagas. Hoje, Artur é o único da casa que não compartilha a preferência pelo samba.

Artur se sente diferente da maioria dos colegas de escola. Enquanto muitos deles falam de bandas do momento, como Restart, Cine e NX Zero, Artur prefere o bom e velho AC/DC e sonha em conseguir logo tocar um solo afinado de “Eye of the Tiger”, de Survivor.

— Gosto mesmo é de rock —, afirma, convicto.

O pai revela que ele relutou em fazer aulas de guitarra, mesmo já tendo ganhado uma.

— Ele queria criar as próprias músicas —, diz.

Neto Stenger, que também dá aulas de música, diz que o interesse de crianças pelo gênero cresceu depois que o jogo “Guitar Hero” se tornou febre, mais ou menos após 2007.

— Foi aí que muitas crianças passaram a conhecer as músicas mais clássicas do rock —, lembra Neto.

O mercado parece ter percebido essa nicho. Tanto que a feira de instrumentos musicais que o guitarrista participou no fim de semana, em Balneário Camboriú, foi voltada para os futuros instrumentistas.

— Até guitarras pequenas com amplificador para crianças eles já estão fabricando —, exemplifica.

Ídolos vêm do passado

Quando Lucas Wunderlich nasceu, Elvis Presley já tinha morrido havia 24 anos. A distância temporal não impediu que ele admirasse o Rei do Rock e tentasse copiar seus trejeitos e músicas quando ainda tinha quatro anos. Aos dez, Lucas começou a levar o gosto musical a sério.

A mãe, Andresa, o acompanha nas aulas semanais de violão, mas Lucas quer mesmo é partir para a guitarra e bateria.

— Achei melhor ele começar com o violão para ver se realmente é isso que ele quer —, conta a mãe.

O efeito parece ter sido o mesmo para José Henrique Velho Coelho, de mesma idade. O filho caçula de Ângela é enfático quando fala sobre o tipo de música que mais o atrai: “rock clássico”.

Segundo ele, os ídolos do passado só o fizeram aumentar ainda mais a vontade de aprender a tocar guitarra. Beatles, Freddie Mercury, Jimmy Page e Bon Jovi figuram na lista dos mais admirados, mas Slash está no topo das preferências.

— Quero poder tocar logo uma dele —, confessa.

Os ícones do rock mundial foram apresentados a José Henrique quando ele tinha sete anos.

— Ele convenceu o professor a dar aulas para ele, porque ainda era muito novo —, conta a mãe.

Quando todos pensavam que José Henrique herdaria a paixão pelo futebol do pai, veio o pedido da primeira bateria, quando ele ainda não tinha três anos completos.

— Prometi até parar de chupar bico para ganhar a bateria de Natal —, lembra.

Hoje, é a guitarra que ocupa a maior parte das suas horas vagas.

José Henrique pensa em ter uma banda só sua. Até já reuniu alguns amigos para idealizar a Little Scorpions, nome que o grupo deverá receber quando os aprendizes de músicos tiverem um espaço para ensaiar. O maior sonho?

— Quero ter logo uma guitarra da marca Gibson —, diz.
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