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Autobiografia de Marky é desabafo sobre difícil convivência com os Ramones


Não é novidade para nenhum fã dos Ramones que o guitarrista Johnny era autoritário e defensor de políticos de direita, que o vocalista Joey tinha transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), que o baixista Dee Dee estava sempre sob efeito de drogas e que todos eles viviam em conflito entre si. Livros como "Coração Envenenado", escrito por Dee Dee, e o documentário "End of the Century – The Story of the Ramones" já falaram disso antes.
Recentemente lançada, "Minha Vida como um Ramone – Punk Rock Blitzkrieg" (editora Planeta), do baterista Marky Ramone, 58 anos, em parceria com o escritor Rich Herschlag, volta a abordar as loucuras e brigas internas do grupo seminal do punk rock, mas de uma forma mais crua, direta e detalhada.
Entre as quase 450 páginas do livro, Marky –que não era o baterista original, mas  foi o que ficou mais tempo nos Ramones—lembra, por exemplo, que Johnny chamava negros de "macacos" e latinos de "cucarachos", além de ser totalmente contra qualquer benefício social para pobres ou imigrantes. Já Joey, durante as turnês, sempre ficava hospedado em um andar diferente do hotel, pois tinha a mania de abrir e fechar a porta do quarto para atravessá-la inúmeras vezes, sintoma de seu TOC que irritava os colegas. Dee Dee, por sua vez, é retratado como um gênio completamente maluco, mentiroso e alucinado, que chegou a ameaçar Marky com um canivete em uma ocasião, porque ficou bravo com uma brincadeira boba.

Vida de rockstar e alcoolismo




O próprio autorretrado de Marky no livro não é muito bonito. O músico vai fundo no seu problema com alcoolismo, que fez com que fosse expulso da banda em 1983. Na ocasião, quando o álbum "Subterranean Jungle" estava sendo gravado, ele deixava uma garrafa de vodca escondida na lixeira do banheiro do estúdio, para dar uns goles nos intervalos das sessões. Mas acabou sendo dedurado pelo colega Dee Dee, que achou o "tesouro".
Outro trecho menciona que, quando não estava em turnê com a banda, Marky começava a beber assim que acordava e, por volta do meio-dia, costumava "alimentar os animais". O que significava jogar notas de dólares pela janela de seu apartamento para ver as pessoas se agredindo na rua ao tentar pegá-las.
O baterista fala também sobre sua vida anterior à entrada nos Ramones, quando ainda era conhecido como Marc Bell. Aliás, apesar de o livro se chamar "Minha Vida como um Ramone", as cerca de 150 primeiras páginas retratam esse período, contando sobre a adolescência, a descoberta do rock and roll, os problemas na escola –no qual foi alvo de abusos que o traumatizaram— e suas primeiras bandas, entre elas as clássicas Dust (que fundou quando tinha apenas 18 anos) e Richard Hell and the Voidoids, outro grupo seminal do punk nova-iorquino.
Mas, voltando aos Ramones, o livro não mostra só o lado "ruim" de estar no grupo. Marky deixa claro que amava tocar bateria na banda e narra diversas histórias engraçadas e curiosas que ocorreram durante as turnês ou nos estúdios.
 
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