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Cabeçote: Há de se concordar com Bill Ward que Black Sabbath com Dio não funcionava



Em recente entrevista, o baterista Bill Ward falou sobre sua primeira saída do Black Sabbath, em 1980. Ele diz ter abandonado o barco em função de um misto de problemas, entre eles, a falta de adaptação com a nova formação da banda – com Ronnie James Dio nos vocais (clique aqui para ler o que Bill Ward disse). Não me recordo de, em declarações anteriores, ele ter atribuído sua baixa a isso de forma tão direta. Mas há de se concordar, mesmo que ponderadamente, quando ele afirma que “aquilo não funcionava”.

Com Dio, o Black Sabbath deixou de ser aterrorizante, elemento principal de sua pioneira sonoridade. Isso não é ruim, só não funcionava de fato como o esperado. Gosto muito de determinados momentos da fase Dio, especialmente do álbum “Heaven And Hell” de forma integral – o menos Sabbath de todos, curiosamente. Já nos outros dois discos, “The Mob Rules” e “Dehumanizer”, há momentos ótimos e outros apenas medianos. “The Devil You Know”, já com Heaven & Hell, para mim, é bem fraco.

Além disso, o método de trabalho era curioso, com muita liderança para uma banda só. Formações assim têm, praticamente, data marcada para o desmanche. Não duram. Música também é negócio e, como em toda empresa, precisa ter uma pessoa, talvez até duas, mas não três à frente. São raros os casos em que “vários chefes” trabalham juntos por muito tempo.

Até então líderes do processo de composição, Tony Iommi e Geezer Butler viram a chegada de Ronnie James Dio, que mudou até mesmo a direção temática das músicas. Há quem diga, ainda, que o baixinho sempre fez o tipo “controlador” nos momentos criativos. Se por um lado a repaginada fez bem ao Sabbath, por outro, só poderia acabar em rixa. E a história que pôs fim à formação, com Dio supostamente mexendo nos volumes de “Live Evil” para destacar seus vocais (história posteriormente negada), mostrou que tudo acabaria de forma pouco natural.

Há quem possa me considerar um “herege” por essa opinião (pois há quem leve metal a sério demais, né?), mas repito: tudo isso não faz com que a fase Dio seja ruim. Só não combinava. Musicalmente, o baixinho ia bem melhor no Rainbow. Até hoje, ainda não consigo imaginar essa união gerando oito álbuns de estúdio em série (com a maior parte composta por clássicos), como nos tempos de Ozzy 
Osbourne. É natural alimentar um mito pela fase Dio justamente por ter durado pouco, além do cantor já ter falecido, no entanto, apesar de suas notáveis limitações, o Madman sempre foi o nome mais adequado para o Sabbath.

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